|
as
penas vão perdendo o brilho e a
sua qualidade, tendo naturalmente
consequências negativas no ciclo
vital da ave. Assim, a renovação
da plumagem é um processo
periódico, energeticamente
exigente, mas necessário em todas
as aves. Intimamente ligado a
outras fases do ciclo anual, caso
da migração ou reprodução, o
fenómeno da muda é também
fortemente influenciado por estas,
levando a uma complexidade e
variabilidade de estratégias.
O
estudo da muda é essencial na
compreensão do comportamento das
espécies, reflectindo muitas vezes
variações a nível específico, caso
das classes etárias e sexos. O
conhecimento das estratégias de
muda e das variações torna-se
assim uma ferramenta crucial para
uma classificação mais precisa dos
indivíduos durante a prática de
anilhagem.
O
Projecto “Muda” pretende lançar
junto de todos os anilhadores, uma
metodologia sistemática e eficaz
de
recolha de informação sobre os
processos de muda de forma a
aprofundar o
conhecimento sobre as
espécies e a melhorar
qualidade da informação recolhida.
Como
posso participar?
A
participação no projecto “Muda” é
voluntária, cada anilhador pode descarregar do site
da APAA, gratuitamente, a ficha
para a recolha de informação, o
manual sobre o preenchimento das
fichas e o programa informático
BioMuda. Estes elementos visam uma
recolha mais sistematizada da
informação, auxiliando o anilhador
na organização dos dados. Quem
assim o entender, poderá enviar
uma exportação dos dados
recolhidos para a APAA, de forma
a constituir-se um banco de dados
Nacional, onde todas as fichas de
muda serão guardadas para
futuramente a informação ser
trabalhada. A constituição de um
banco de dados será assim uma
mais-valia, aumentando o número de
fichas para cada espécie e
a informação sobre o
fenómeno da muda.
A Ficha
de muda
Adaptada do modelo em Castelhano,
a ficha de muda apresenta uma
enorme potencialidade na descrição
dos processos de muda. A ficha,
serve para passeriformes e para
não passeriformes, tendo
capacidade para descrever
processos de muda activos, ou que
já terminaram (não activos).
A
ficha de muda vai um pouco mais
longe do que a simples descrição
de primárias e secundárias, pois
inclui a descrição detalhada de
coberturas primárias e grandes
coberturas, aumentando o nível de
complexidade da informação
recolhida. Desenhada
especificamente para o uso no Paleoártico, pode ser facilmente
adaptada a outras regiões.
Assim, é possível com esta ficha a
descrição dos dois tipos de muda
(activa e não activa), embora não
simultaneamente. Para a ficha de
muda activa são utilizados códigos
para as várias fases de
crescimento das penas (Ginn &
Melville), para a ficha de muda
não activa, são atribuídos códigos
diferentes, referentes a quando
teve lugar a muda em questão.
As
fichas de muda activa são as mais
fáceis de preencher, pois é o tipo
de muda que os anilhadores estão
mais familiarizados a registar.
No entanto, a descrição do tipo: não
activa, pode ser de extremamente
importante na compreensão de
estratégias de muda em espécies
que renovam a plumagem em África.
As
espécies-alvo
Para uma primeira fase do projecto
foram seleccionadas 7 espécies
alvo. Estas são relativamente
abundantes em Portugal e
comummente capturadas no decorrer
de uma sessão de anilhagem, são
boas espécies para “treinar” a
descrição do fenómeno da muda.
Para estas espécies já é conhecida
a estratégia de muda dos adultos
(Completa, pós-nupcial), então
poderíamos perguntar, qual o
interesse de recolher informação
nestas espécies? Pois bem, esta
questão poderia ser respondida com
outras questões: Qual a duração da
muda pós-nupcial? Qual a
intensidade com que ocorre? Não
devemos portanto, menosprezar o
valor da informação recolhida,
ainda que proveniente de espécies
comuns. A informação deve ser
recolhida ao longo de todo o ano,
abarcando os vários tipos de muda
e as várias classes etárias.
Recomenda-se vivamente começar
pela recolha de informação durante
a muda pós-nupcial, quando as
penas estão em muda activa,
facilitando o processo de
aprendizagem da recolha de dados. O projecto não se
limita apenas às espécies alvo,
mas está interessado em informação
de todas as espécies.
O
volume de informação recolhida
depende da vontade e
disponibilidade de cada anilhador,
no entanto, é fortemente recomendado
que pelo menos a muda activa de
Primárias, Secundárias e
Terciárias seja registada.
Obviamente, quanto mais completo
for o preenchimento da ficha de
muda, maior o volume de informação
e a qualidade desta.
Espécies alvo:
·
Toutinegra-dos-valados
Sylvia melanocephala
·
Toutinegra-de-barrete-preto
Sylvia atricapilla
·
Rouxinol-bravo Cettia
cetti
·
Pisco-de-peito-ruivo
Erithacus rubecula
·
Chapim-azul Parus
caeruleus
·
Chamariz Serinus serinus
·
Verdilhão Carduleis
chloris
Envio dos
dados
O programa
BioMuda dispõe da possibilidade da
Exportar e Importar dados no
formato Excel. Assim cada
anilhador poderá exportar as suas
fichas e enviar por e-mail para
dep.projectos@apaa.pt
Atenção:
Os
anilhadores interessados em
colaborar no bando de dados de
muda, com as suas fichas, devem
previamente solicitar ao
Departamento de Projectos da APAA
um código de identificação para
colocar na sua base de dados (BioMuda)
Qualquer
duvidas ou sugestões, contactar o
Departamento de Projectos da APAA
-
dep.projectos@apaa.pt
Disponível para descarregar:
-
Ficha de
muda - Versão pdf -
94kb
-
Apresentação
do Projecto MUDA no 4º Encontro
Técnico de Anilhadores
-
Versão pdf - 804 kb
-
Introdução
ao estudo da muda em passeriformes
europeus
- Versão pdf - 3140 kb
-
Manual de instruções
Biomuda
- Versão pdf - 1274 kb
-
Programa
"Biomuda"
- ficheiro
executável - 293 kb
|